Era frequente nos meus tempos de universitária, esses que me parecem já tão longínquos, a conversa ir desembocar no tema comida. Falávamos sobre a gastronomia típica das nossas terras, os nossos gostos pessoais, as nossas tradições relacionadas com este tema, as aventuras na cozinha, os alimentos que nos acompanhavam nas tardes de estudo e por aí fora. Lembro-me bem de uma viagem de camioneta com a S.. Saímos de Braga tarde e a más horas, directas das aulas para a paragem. O estômago a reclamar conforto. Durante o percurso entre o pólo de Braga da Universidade do Minho e o pólo de Guimarães, o diálogo começou em pães de leite mistos e acabou em pratos mais rebuscados. E ainda são alguns quilómetros!
Nas minhas conversas com a
J. também acabámos, invariavelmente, por falar de comida: gostos, gastronomias, tradições,... . Penso, aliás, que raro é o dia em que o tema não venha à baila. E foi assim que chegámos às papas de carolo, sobremesa típica das regiões beirãs. Ao visitar a Covilhã, cidade onde a
J. termina a sua licenciatura (Muitos Parabéns A. P. ;) :D), não podia deixar passar a oportunidade de experimentar as ditas. Gosto sempre de experimentar algo característico da terra que me acolhe (salvo se uma bela mousse de chocolate se atravessar à minha frente...). Não cometerei nenhum erro se afirmar que as papas de carolo estão para as Beiras como o arroz-doce, a aletria ou o leite-creme estão para diversas zonas do país. No fundo, os ingredientes principais são o leite, o açúcar e o aroma, aliados a outros disponíveis em cada terra. Resultam numa espécie de leite-creme granuloso, doce, cremoso e com textura ao mesmo tempo. Saboroso e diferente. Fiquei com vontade de experimentar em casa. Procurei a receita na net e aventurei-me finalmente no fim-de-semana passado. Só vos digo que é uma receita a repetir mais vezes.
Ingedientes:1 chávena de carolo (sêmola de milho)
2 1/2 chávenas de água
1 litro de leite
1 chávena de açúcar
1 casca de laranja
sal q. b.
canela para polvilhar
Modo de Preparação:Lava-se o carolo, colocando-o num recipiente com água fria. Agita-se de modo a trazer ao de cima o farelo. Esta operação é dispensável nos dias que correm pois a sêmola já vem, naturalmente, limpa. Ainda assim, segui a receita original e respeitei este procedimento.
Põe-se uma panela ao lume com água temperada com uma pitada de sal e com a casca da laranja. Quando a água levantar fervura, tira-se a casca da laranja e junta-se o carolo. Envolve-se e deixa-se cozer um pouco. Mexe-se sempre. Quando o preparado se tornar espesso, começa-se a juntar o leite aos poucos, sem parar de mexer. Por fim, junta-se o açúcar. Deixa-se a mistura acabar de cozer, mexendo sempre, até ficar com uma consistência cremosa. Coloca-se em pratos ou travessas e polvilha-se com canela (eu cá optei por chávenas de chá :D).
Notas:- Achei que o sabor da laranja fica algo dissimulado. Por isso sugiro que usem toda a casca do fruto para acentuar o sabor.
- Este doce é também uma boa sugestão para o pequeno-almoço, devido às propriedades energéticas do milho.
- Usei sêmola de milho da marca "Globo" (o pacote diz mesmo Carolo/Sêmola de Milho).
- É conveniente provarem o doce e ajustarem o açúcar aos gostos pessoais (no meu caso adicionei mais meia chávena mal-cheia).