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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Segredos d'Avó #3

Esta dica que hoje deixo já é, certamente, do conhecimento de muitas leitoras. Contudo, não poderia deixar de a incluir nestes meus "Segredos d'Avó"... Assim, sempre que vos sobrarem claras de alguma receita que fizerem, podem congelá-las, acondicionando-as numa caixa plástica. 


Tenho sempre o cuidado de colocar uma etiqueta com a quantidade de claras congelada em cada recipiente. Normalmente utilizo-as para fazer bolos. No blog, já estão disponíveis as seguintes receitas: 

- Bolo de prata (óptimo para gastar sobras de frutos secos do Natal!);
- Bolo de avelã (idem);

Normalmente, congelo as claras nas quantidades que sei serem necessárias à preparação deste tipo de bolos (6, 7, 8, 10, como podem confirmar nas receitas anteriores). Prefiro assim, para não acumular uma quantidade enorme de caixinhas no congelador. Se hoje, exemplificando, fizer um leite-creme que gaste 5 gemas, coloco as 5 claras não utilizadas num tupperware e congelo. Imaginando que dali a um tempo, faço um puré e fico com 2 claras sem serventia, elas são congeladas na caixa anterior (não esquecer de actualizar a etiqueta, neste caso!). Dando-se o caso de ficar com 12 claras, depois de fazer uns ovos moles, aí divido as claras por dois recipientes, com 6 claras em cada, por exemplo.
Quando lhes quero dar destino, basta deixar descongelar de um dia para o outro dentro do frigorífico ou à temperatura ambiente e, depois, utilizar normalmente. Não há alteração de textura, de cor, nem de cheiro. Podem confiar. Além de inúmeras variantes de bolos de claras, podem com elas fazer molotov, farófias, torta, a tão em voga pavlova, suspiros, merengue, etc.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Segredos d'Avó #2

Quando faço cozido à portuguesa cá em casa, regra geral, sobra sempre bastante carne. Este prato tradicional da nossa gastronomia é bastante farto e mesmo que tenhamos atenção às quantidades de carnes e legumes que cozinhamos, é quase impossível que não sobre nada. De cada vez que o cozido vai à nossa mesa, dedico sempre alguns minutos às sobras, mas a poupança começa logo na hora na servir o cozido, onde tenho o cuidado de reservar a água da sua cozedura. Os legumes que sobram, nomeadamente batatas, cenouras e couve, são colocados de parte para engrossarem a base da próxima sopa a ser cozinhada. As carnes são limpas de peles, ossos e veios/gorduras que possuam. Depois, corto-as em pedaços, fazendo o mesmo aos enchidos. De seguida, é só dividir as carnes em pedaços por recipientes plásticos, juntando algum caldo da cozedura no próprio recipiente, como demonstra a foto. Coloca-se uma etiqueta, para identificar o conteúdo (não esquecer a data!) e congela-se, para futuras utilizações.


Nas caixas plásticas quadradas, tenho carne e enchidos que usarei para fazer tripas à moda do Porto ou feijoada à transmontana. No recipiente redondo, tenho o frango que sobrou do cozido, já limpo de peles e ossos, desfiado e acondicionado com o caldo da cozedura. Com ele, preparei um arroz de forno que publicarei aqui em breve.

Outros destinos se podiam dar às sobras de um cozido à portuguesa. Por exemplo, usá-los para fazer rissóis, croquetes ou uns folhados de carne. Já aqui referi que costumo ter uma caixa plástica no congelador onde vou guardando sobras de carne de outras refeições. Quando tenho uma boa quantidade, descongelo e dedico uma tarde a preparar estes salgadinhos que todos gostam e que são, indiscutivelmente, melhores quando feitos em casa. Dá um pouco de trabalho, mas o sabor compensa tudo! Em breve, deixar-vos-ei, igualmente, as minhas receitas de rissóis e croquetes de carne.

Recordo-me que com as sobras de carnes e legumes podem, se forem apreciadores, fazer uma sopa de cozido, uma massa à lavrador, um arroz de carne, uma carne à Brás ou um empadão. As possibilidades para aproveitar as sobras do cozido são imensas, mas é claro que fico a aguardar pelas vossas contribuições!

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Segredos d'Avó #1

Ando com esta ideia em mente há muito, muito tempo... Surgiu-me quando, em conversas com amigas (mormente, com a querida Gabriela, com quem partilho muita informação em termos culinários), me fui apercendo que os conhecimentos de economia doméstica e de poupança que para mim eram um dado adquirido, não o eram para outras pessoas. Hoje é o dia para levar esta ideia à prática e partilhar convosco o pouco que sei sobre como aproveitar ao máximo os alimentos, dicas de armazenamento e confecção, e por aí em diante. O nome da rubrica é uma homenagem à minha querida e saudosa Avó Isabel, com quem aprendi a ser poupada e comedida e que me despertou o gosto pela culinária, entre muitos outros ensinamentos. A minha Avó, que passou fome e viveu a realidade das senhas de racionamento dos alimentos, condoía-se de cada vez que via pão nos sacos do lixo dos vizinhos pousados na rua. Hoje, sou eu que estremeço, de cada vez que vejo arroz a saltar de um saco do lixo ou, quando vou jantar a casa de alguém, constato que as sobras nem sequer vão servir para alimentar os animais. Cá em casa, as sobras das refeições são partilhadas, transformadas noutras refeições ou dadas aos animais vadios. Os restos dos vegetais e o pouco pão que não é consumido vão servir de alimento aos animais de criação que o meu irmão tem. Da fruta da época faz-se compotas e marmeladas. Os bolos das festas, se sobram, congelam-se para consumir noutra altura. E estes são alguns exemplos. Cá em casa, a regra é aproveitar, partilhar e nunca desperdiçar. Aguardo o vosso feedback sobre esta nova rubrica, na esperança que vos possa ser útil com os meus "Segredos d'Avó" e, também, aprender com as vossas sugestões!


Apresentada a rubrica, segue-se a primeira dica! O que fazer com o pão recesso? Os aproveitamentos que lhe podem dar são vários, mas hoje sugiro que o transformem em pão ralado. Basta partirem o pão em bocados, grosseiramente, para dentro de um tabuleiro e levá-lo ao forno, a uma temperatura baixa, para que seque e fique crocante (não deixem tostar demasiado!). 


Não há necessidade de ligar o forno exclusivamente para torrar o pão. Aproveitem para o fazer quando estiverem a usar o forno para a preparação de outra receita ou, até mesmo, bastará o calor que fica no forno depois dele ser usado. Outra maneira de secar o pão, que é a minha favorita, consiste em deixar o pão secar ao ar, sendo o recipiente devidamente tapado com um pano de cozinha limpo. Faço-o muito no Verão, pois com o tempo quente, o pão rapidamente fica seco!
Depois, basta triturar os bocados de pão na picadora ou no robot de cozinha, peneirar e guardar o pão-ralado obtido em frascos bem fechados. Se gostarem de pão-ralado aromatizado, basta juntar na hora de triturar o pão, alho seco ou ervas aromáticas da vossa preferência. Assim, ficam com pão-ralado que podem usar em vários pratos doces e salgados. E, já agora, fica outra dica: em vez de usar farinha para polvilhar as formas dos bolos, usem o pão-ralado.