terça-feira, 29 de abril de 2008

Papas de Carolo

Era frequente nos meus tempos de universitária, esses que me parecem já tão longínquos, a conversa ir desembocar no tema comida. Falávamos sobre a gastronomia típica das nossas terras, os nossos gostos pessoais, as nossas tradições relacionadas com este tema, as aventuras na cozinha, os alimentos que nos acompanhavam nas tardes de estudo e por aí fora. Lembro-me bem de uma viagem de camioneta com a S.. Saímos de Braga tarde e a más horas, directas das aulas para a paragem. O estômago a reclamar conforto. Durante o percurso entre o pólo de Braga da Universidade do Minho e o pólo de Guimarães, o diálogo começou em pães de leite mistos e acabou em pratos mais rebuscados. E ainda são alguns quilómetros!
Nas minhas conversas com a J. também acabámos, invariavelmente, por falar de comida: gostos, gastronomias, tradições,... . Penso, aliás, que raro é o dia em que o tema não venha à baila. E foi assim que chegámos às papas de carolo, sobremesa típica das regiões beirãs. Ao visitar a Covilhã, cidade onde a J. termina a sua licenciatura (Muitos Parabéns A. P. ;) :D), não podia deixar passar a oportunidade de experimentar as ditas. Gosto sempre de experimentar algo característico da terra que me acolhe (salvo se uma bela mousse de chocolate se atravessar à minha frente...). Não cometerei nenhum erro se afirmar que as papas de carolo estão para as Beiras como o arroz-doce, a aletria ou o leite-creme estão para diversas zonas do país. No fundo, os ingredientes principais são o leite, o açúcar e o aroma, aliados a outros disponíveis em cada terra. Resultam numa espécie de leite-creme granuloso, doce, cremoso e com textura ao mesmo tempo. Saboroso e diferente. Fiquei com vontade de experimentar em casa. Procurei a receita na net e aventurei-me finalmente no fim-de-semana passado. Só vos digo que é uma receita a repetir mais vezes.



Ingedientes:

1 chávena de carolo (sêmola de milho)
2 1/2 chávenas de água
1 litro de leite
1 chávena de açúcar
1 casca de laranja
sal q. b.
canela para polvilhar


Modo de Preparação:

Lava-se o carolo, colocando-o num recipiente com água fria. Agita-se de modo a trazer ao de cima o farelo. Esta operação é dispensável nos dias que correm pois a sêmola já vem, naturalmente, limpa. Ainda assim, segui a receita original e respeitei este procedimento.
Põe-se uma panela ao lume com água temperada com uma pitada de sal e com a casca da laranja. Quando a água levantar fervura, tira-se a casca da laranja e junta-se o carolo. Envolve-se e deixa-se cozer um pouco. Mexe-se sempre. Quando o preparado se tornar espesso, começa-se a juntar o leite aos poucos, sem parar de mexer. Por fim, junta-se o açúcar. Deixa-se a mistura acabar de cozer, mexendo sempre, até ficar com uma consistência cremosa. Coloca-se em pratos ou travessas e polvilha-se com canela (eu cá optei por chávenas de chá :D).


Notas:

- Achei que o sabor da laranja fica algo dissimulado. Por isso sugiro que usem toda a casca do fruto para acentuar o sabor.
- Este doce é também uma boa sugestão para o pequeno-almoço, devido às propriedades energéticas do milho.
- Usei sêmola de milho da marca "Globo" (o pacote diz mesmo Carolo/Sêmola de Milho).
- É conveniente provarem o doce e ajustarem o açúcar aos gostos pessoais (no meu caso adicionei mais meia chávena mal-cheia).

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Da Suíça com (muito) sabor



Alguns dos meus produtos favoritos têm origem nesse país também famoso pelos relógios e pelo queijo (mas desse falarei noutra ocasião). A foto é sobejamente elucidativa. O Toblerone dispensa apresentações. A outra marca de chocolates é a minha preferida (os bombons de chocolate negro são a coisa mais maravilhosa que comi até hoje). Isso sim é chocolate a sério! As pastilhas são tão boas que como diz no site da marca "you don't need a cough to enjoy Ricola". E os iogurtes... Esta marca é fantástica. O batido é delicioso e o iogurte vai pelo mesmo caminho. Extremamente saborosos e aveludados. A única desvantagem que têm é o preço que sai um pouco fora dos parâmetros normais (nomeadamente nos chocolates Lindt e nos iogurtes Emmi). A qualidade é garantida. E eu prefiro a qualidade à quantidade.

domingo, 20 de abril de 2008

Palmiers

São bastante fáceis de preparar e não têm ciência nenhuma. Mas resultam nuns bolinhos muito agradáveis para acompanhar um café ou um chá.



Ingredientes:

1 embalagem de massa folhada pronta a usar (formato rectângular)
açúcar q. b.
canela em pó q. b.


Modo de preparação:

Desenrolar a massa folhada. Polvilhá-la com açúcar e canela a gosto. Pressionar bem com as mãos ou com o rolo da massa para o açúcar aderir bem. Marcar o meio da massa e enrolar até lá uma das pontas. Depois, fazer o mesmo com a outra parte até ao meio também. Cortar o rolo obtido às fatias da espessura que se desejar. Passar cada fatia por açúcar. Colocar num tabuleiro forrado com papel vegetal e levar ao forno até dourar, virando a meio da cozedura.


Notas:

-No caso de se usar massa folhada congelada, há que estendê-la com o rolo da massa até ficar bem fina e cortar de forma a obter um rectângulo. Depois é só proceder como descrito.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Capuccino, café latte?

A pedido expresso da Sílvia, vou explicar como preparei a bebida que acompanhou os queques do post abaixo. Como eu tinha referido, vi a receita aqui e fiquei com vontade de experimentar. O resultado agradou-me imenso, mas como quase sempre fiz algumas alterações. Na minha opinião, obtemos uma bebida quente que não é capuccino mas também não é café latte. Que é reconfortante, isso é inquestionável. Aqui vai a receita original:



Ingredentes:

50 gramas de café solúvel
3 chávenas de chá de açúcar
1 1/2 chávenas de chá de água fervente.


Modo de Preparação:

Colocar todos os ingredientes num recipiente e bater com a batedeira durante 10 minutos. Vamos obter uma espécie de creme. Colocar um pouco deste creme sobre uma chávena de leite quente ou sobre um café e polvilhar com canela ou chocolate em pó. O restante guarda-se num recipiente no congelador. A mistura não congela e está sempre pronta a utilizar.


Notas:

- Basicamente as alterações que fiz à receita, foi utilizar 100 gramas de mistura de café e chicória.
-Para preparar a bebida, coloquei numa chávena duas colheres de sopa deste creme e juntei leite quente, mexendo bem. Polvilhei com canela em pó.
-Posteriormente fiz outra experiência que foi a que mais gostei até agora: juntar numa caneca um colher de chá de achocolatado, uma colher de chá de mistura de café e chicória e duas colheres de sopa do creme. Juntei leite quente e polvilhei com canela.

Queques

O que fazer quando em Abril ainda temos pelos armários restos de frutos secos do Natal? Resolvi-me a fazer uns queques que ficaram muito bons, fofos e húmidos. Acompanhados com uma bebida quente que vi aqui e resolvi experimentar, deram-me o conforto necessário para um jogo de futebol num dia frio e chuvoso. A repetir, sem dúvida, porque além de fáceis, rápidos, económicos (a receita rendeu 36 bolinhos, se não estou em erro) e deliciosos, ainda não consegui esgotar os frutos secos. Também gostei imenso da bebida e já fiz umas variações. A que mais me agradou foi conseguida juntado à versão original um colher de chá de achocolatado e outra de café (do marca "ricoré", o qual eu já tinha usado na confecção da "espuma"). Mas, não considero que seja capuccino (parece-me antes uma versão improvisada de café latte). Antes de passarmos à receita propriamente dita, deixo ficar a frase da autoria de Fernando Pessoa que está estampada na minha mais recente compra: "Eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura".



Ingredientes:

4 ovos
2 chávenas de açúçar
2 chávenas de farinha com fermento
1/2 chávena de leite
1/2 chávena de óleo
raspa de uma laranja
Frutos secos a gosto (eu usei alperce em cubos, pinhões e amêndoa palitada)
Açúcar q. b.


Modo de Preparação:

Bater os ovos com o açúcar muito bem. De seguida misturar o óleo, o leite e a raspa da laranja. Por último, agregar a farinha. Colocar forminhas de papel em formas de queques. Para os queques de alperce, enchi as forminhas com um pouco de massa com a ajuda de uma colher de sopa, coloquei os alperces em cubos e voltei a cobrir com mais massa até sensivelmente 3/4 da forma. Nos queques com pinhão e amêndoa, enchi a forma com massa até 3/4 da sua capacidade, coloquei amêndoa palitada e pinhões por cima e polvilhei com açúcar. Leva-se ao forno até cozerem e dourarem.


Notas:

-São muito práticos e rápidos, além de não ser necessário untar formas.
-Os frutos que usei podem ser substituídos por outros que se queira ou goste. Simples também são óptimos. A massa base pode ainda ser aromatizada com raspa de limão ou outro aroma a gosto.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Arroz à minha moda

Eu ADORO arroz! Esta receita, apesar de não ter nada de extraordinário, surgiu-me num dia em que não sabia muito bem o que fazer para o jantar. A partir daí tornou-se prato obrigatório cá em casa porque fica realmente muito saboroso. É um excelente acompanhamento para carnes ou o que se queira (ou prato principal para quem, como eu, gosta de arroz por si só).



Ingredientes:

1 cebola picada
azeite q.b.
1 cenoura média ralada
1/2 chávena de ervilhas
1 chouriça cortada em cubinhos
1 medida de arroz
2 medidas de água
sal e pimenta q. b.


Modo de Preparação:

Num tacho colocar a cebola, a cenoura, as ervilhas, a chouriça e o azeite. Levar ao lume e deixar refogar um pouco. Juntar o arroz e envolver, até ele ficar translúcido e ter absorvido a gordura. Juntar a água. Mexer o arroz e temperar a gosto. Não se volta a mexer. Deixa-se cozinhar em lume brando até a água evaporar. Quando isto acontecer, embrulha-se o tacho (em jornal ou numa manta) e aguarda-se alguns minutos. O arroz vai acabar de cozer com o calor e vai ficar solto.


Notas:

-Quanto melhor a qualidade do enchido, mais saboroso ficará o arroz.
-Geralmente deixo o tacho embrulhado nunca menos de 20 minutos.
-O tempero fica ao critério de cada um. Eu gosto de juntar meio cubo de caldo knorr de legumes.
-Normalmente quando sobra arroz, aqueço-o e junto-lhe ovo mexido.

domingo, 6 de abril de 2008

Bolo chiffon de laranja recheado

Adoro bolos simples: de canela, de chocolate, de noz, de iogurte ou de qualquer outra coisa. Gosto daquele tipo de bolos que se acompanham com chá ou leite morno. Esta receita de bolo estava num velhinho caderno lá em casa. O bolo por si só é muito bom. Só que me apetecia elaborar a receita um pouco mais. E, em vez do bolo simples, saiu uma recriação com recheio e cobertura. Foi experimentado ainda morno por dois gulosos e uma curiosa (eu, que sempre testo em primeiro lugar aquilo que faço). Ficou aprovadíssimo por todos. Devido à pressão para o provar, tive de colocar o glacé com o bolo ainda quente, pelo que a cobertura acabou por se "entranhar" no bolo. Não há problema nenhum nisso, mas desde já aconselho: não façam bolos com gulosos por perto LOL.




Ingredientes:

1 1/2 chávenas de açúcar
6 ovos
1 1/2 chávenas de farinha
3/4 chávena de óleo
1/2 chávena de sumo de laranja
raspa de uma laranja
1 colher de café de sal fino
1 colher de chá de fermento em pó

Nutella para o recheio

Sumo de uma laranja e açúcar em pó q. b. para o glacé


Modo de Preparação:

Bate-se o açúcar com os ovos até se obter uma mistura esbranquiçada. Junta-se o óleo, o sal, o sumo e a raspa da laranja. Envolve-se bem e, por fim, mistura-se a farinha. Vai ao forno em forma redonda sem buraco untada e enfarinhada até cozer. Quando estiver pronto, desenforma-se. Corta-se o bolo ao meio e recheia-se com a nutella. Coloca-se a outra metade e quando o bolo estiver frio cobre-se com o glacé. Para o fazer, basta juntar açúcar em pó ao sumo de uma laranja até obter um creme brilhante e espesso. Deita-se sobre o bolo e decora-se a gosto.


Notas:

-Um truque que uso para cortar bolos em duas partes, é usar um fio de nylon (semelhante ao fio de pesca). Temos de posicionar o fio ao redor do bolo, alinhando no sítio onde queremos que o fio corte o bolo. Depois, é só cruzar as duas pontas do fio e este vai cortar o bolo perfeitamente e sem esforço quase nenhum.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Folhados com doce e fruta

Uma sobremesa fácil e rápida, para quando não se tem muito tempo e apetece comer algo doce. E mais um bom uso que se dá às compotas caseiras.

Estes com compota de maçã e fatias da mesma fruta:


Aqui, com frutos vermelhos e compota de morango:



Ingredientes:

1 placa de massa folhada
compota q. b.
fruta q. b.
1 gema de ovo batida com um pouco de leite


Modo de Preparação:

Estender a massa folhada (eu uso daquela que é só desenrolar e que normalmente se encontra na zona dos frios. Esta massa folhada traz uma folha de papel vegetal que acaba por facilitar a operação e ajuda a não sujar nada). Barrar cada rectângulo de massa folhada com o doce escolhido e por cima colocar a fruta (maçã em gomos no caso dos primeiros e frutos vermelhos congelados no segundo caso). Dobrar as pontas da massa para dentro (como mais gostar) e pincelar com o preparado da gema de ovo. Forrar um tabuleiro com papel vegetal e colocar os folhados, deixando um espaço entre eles. Levar ao forno para a massa dourar e cozer.


Notas:

-Para este tipo de folhados, uso a massa folhada do Lidl (passe a publicidade) porque tem forma rectangular (normalmente nos outros supermercados encontra-se massa folhada preparada para ser utilizada em formas de tartes). Também se pode, obviamente, usar massa folhada congelada mas nesse caso dará um pouquinho mais de trabalho (já que terá de descongelar e ser estendida com o rolo da massa).
-Na linha compota+doce podem-se fazer imensas variações ao gosto de cada um.

Doce ou Compota

Porque para mim é a mesma coisa. Uma boa maneira de aproveitar fruta que esteja a ficar madura ou frutos que não sejam muito bons de sabor (porque um dos meus lemas é não desperdiçar nada). Além de ficarmos com um belo acompanhamento para um chá com torradas, por exemplo, pode servir para complementar receitas como a que postei aqui (e vêm outras a caminho). Vou explicar o procedimento que utilizo para as compotas em geral. Na foto que se segue estão três tipos de doces (o tropical foi um aproveitamento de banana, papaia e abacaxi e resultou num sabor muito agradável).



Ingredientes:

1 kg de fruta descascada e cortada em pedacinhos
800 gramas de açúcar
2 dl de água
1 cálice de Vinho do Porto
2 cascas de limão (só a parte vidrada)
1 pau de canela


Modo de Preparação:

Numa panela colocar a fruta e juntar o açúcar, a água, o vinho do Porto, as cascas do limão e o pau de canela. Envolver bem a fruta no resto dos ingredientes e levar a lume brando até a fruta cozer e ficar "transparente". Nesse ponto, retirar do lume e triturar com a varinha mágica. Levar novamente ao lume, mexendo sempre, até ganhar consistência. Depois é só guardar em frascos esterilizados. Para tal, deve-se mergulhar os frascos e as tampas em água fervente e deixar alguns minutos. Retirar com a ajuda de uma pinça de cozinha (ou outro utensílio do género) e colocar os frascos sobre um pano de cozinha limpo, com a boca para baixo, e deixar secar. Quando a compota estiver pronta, deita-se nos frascos já esterilizados e secos, enchendo bem até às bordas e tampa-se de imediato. Esta operação custa um pouco (porque o doce está a ferver!), mas é fundamental para a sua conservação. Depois de bem fechados, virar os frascos com a tampa para baixo e deixar repousar.


Notas:

-O Vinho do Porto é opcional, embora dê um toque especial ao doce.
-Esta receita adapta-se bem a qualquer tipo de fruta (maçã, ameixa, pêra, pêssego, abacaxi, banana,...). No caso de se usarem frutos com maior teor de água, devemos reduzir a quantidade de água usada na receita.
-O açúcar pode ser ajustado conforme o gosto pessoal (embora seja ele o ingrediente fundamental para a perfeita conservação do doce).
-Há também a possibilidade de se congelar a compota. Basta colocá-la em caixas que possam ir ao frio e quando se quiser utilizar, é só deixar descongelar no frigorífico.
-Pode-se fazer mais quantidade de compota, bastando para isso respeitar as proporções dos ingredientes.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Amadurecidas pelo sol



Adoro-as. Mas não qualquer umas. Estas são biológicas, sem tratamentos nenhuns. Podem nem ser muito bonitas como as dos supermercados que parecem quase enceradas. Mas são as melhores que já comi e continuo, felizmente, a comer. Doces e ácidas quanto baste, a saberem áquilo que realmente são. É talvez dos frutos em que sou mais exigente. Tolero que outros já não tenham o paladar de deviam. Mas as laranjas, ah... Essas, só as que colho directamente da laranjeira fazem as minhas delícias.