Nas minhas conversas com a J. também acabámos, invariavelmente, por falar de comida: gostos, gastronomias, tradições,... . Penso, aliás, que raro é o dia em que o tema não venha à baila. E foi assim que chegámos às papas de carolo, sobremesa típica das regiões beirãs. Ao visitar a Covilhã, cidade onde a J. termina a sua licenciatura (Muitos Parabéns A. P. ;) :D), não podia deixar passar a oportunidade de experimentar as ditas. Gosto sempre de experimentar algo característico da terra que me acolhe (salvo se uma bela mousse de chocolate se atravessar à minha frente...). Não cometerei nenhum erro se afirmar que as papas de carolo estão para as Beiras como o arroz-doce, a aletria ou o leite-creme estão para diversas zonas do país. No fundo, os ingredientes principais são o leite, o açúcar e o aroma, aliados a outros disponíveis em cada terra. Resultam numa espécie de leite-creme granuloso, doce, cremoso e com textura ao mesmo tempo. Saboroso e diferente. Fiquei com vontade de experimentar em casa. Procurei a receita na net e aventurei-me finalmente no fim-de-semana passado. Só vos digo que é uma receita a repetir mais vezes.

Ingedientes:
1 chávena de carolo (sêmola de milho)
2 1/2 chávenas de água
1 litro de leite
1 chávena de açúcar
1 casca de laranja
sal q. b.
canela para polvilhar
Modo de Preparação:
Lava-se o carolo, colocando-o num recipiente com água fria. Agita-se de modo a trazer ao de cima o farelo. Esta operação é dispensável nos dias que correm pois a sêmola já vem, naturalmente, limpa. Ainda assim, segui a receita original e respeitei este procedimento.
Põe-se uma panela ao lume com água temperada com uma pitada de sal e com a casca da laranja. Quando a água levantar fervura, tira-se a casca da laranja e junta-se o carolo. Envolve-se e deixa-se cozer um pouco. Mexe-se sempre. Quando o preparado se tornar espesso, começa-se a juntar o leite aos poucos, sem parar de mexer. Por fim, junta-se o açúcar. Deixa-se a mistura acabar de cozer, mexendo sempre, até ficar com uma consistência cremosa. Coloca-se em pratos ou travessas e polvilha-se com canela (eu cá optei por chávenas de chá :D).
Notas:
- Achei que o sabor da laranja fica algo dissimulado. Por isso sugiro que usem toda a casca do fruto para acentuar o sabor.
- Este doce é também uma boa sugestão para o pequeno-almoço, devido às propriedades energéticas do milho.
- Usei sêmola de milho da marca "Globo" (o pacote diz mesmo Carolo/Sêmola de Milho).
- É conveniente provarem o doce e ajustarem o açúcar aos gostos pessoais (no meu caso adicionei mais meia chávena mal-cheia).
4 comentários:
As nossas conversas sobre comida que tanta fome me dão. *BABA* E obrigada pelos parabéns. :D :D :D :D :D
Quando a Mary, no ano passado, trouxe uma tigela de papas de carolo fiquei de nariz torcido, principalmente depois de ver a recção do girão e da Klaudia quando as provaram. Mas quando comi a primeira colher adorei aquilo. A sério. E eu não gosto nada de arroz doce mas as papas são mesmo boas. Ainda bem que gostaste, mais uma coisa boa que levaste dos teus dias na mui nobre cidade da Covilhã. :D
E as que tu fizeste tem um aspecto fantástico. :)
Olá amiga!
Olha o doce deve ser bom... mas a chávena é LINDA! eu também quero...
Beijits, Cláudia Ferreira
Eu adoro papas de carolo de milho, e sabes como se chamam na minha terra - uma aldeia por acaso não muito longe da Covilhã? "Papas do cú pá caldeira" e toma lá... Eu por acaso gosto muito delas e sem canela, ao natural e sou capaz de fazer refeição delas....
Olá.
Eu sou de perto de Idanha.
Lá na minha terra também se come papas de carolo, eu adoro...
Costumo deixá-las um pouquinho mais secas e comê-las de manhã partidas aos cubos com leite quente por cima. Hummmm...
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